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domingo, 8 de novembro de 2020

Bitcoin ainda é um bom investimento?



Investidor Raoul Pal afirma que o bitcoin (BTC-USD) é o melhor negócio: é "uma opção de compra para o futuro" e "o ativo mais puro do mundo para reserva de valor".

Em uma entrevista recente para o Yahoo Finanças, Pal contou que a adoção de moedas digitais pelos bancos centrais foi "literalmente a notícia mais importante" de sua carreira.

Segundo Pal, os investidores não querem competir com os bancos centrais, mas esperam criar "um mundo digital". Ele também destacou que as autoridades não querem proibir completamente as criptomoedas, apesar de terem algumas ressalvas.

"Elas entendem que essa tecnologia existe, já foi adotada, não dá para voltar atrás", disse o investidor.

Apesar da famosa volatilidade das criptomoedas e da associação cada vez maior com fraudes e golpes, Pal afirmou que o bitcoin e outras criptos "chegaram para ficar". Na semana passada, o PayPal (PYPL) lançou o próprio serviço de compra, venda e armazenamento de moedas digitais.

Pal, ex-associado do grupo Goldman Sachs, administrou o fundo macro global da GLG, um dos maiores do mundo. Desde que se aposentou, em 2004, ele escreve o boletim informativo The Global Macro Investor (GMI), que conta com um público formado por importantes administradores de fundos de hedge, ativos e fundos soberanos.

Pal também fundou a Real Vision Television, uma empresa de mídia por assinatura on-line especializada em entrevistas longas com investidores. Recentemente, ele compartilhou um vídeo de 35 minutos detalhando sua tese sobre as criptomoedas no canal.

"De repente, é uma classe de ativos real"

Pal afirmou várias vezes que um bitcoin poderia chegar a valer US$ 1 milhão, passando a ser uma classe de ativos de US$ 10 trilhões e superando o mercado do ouro. Ao longo do ano passado, o preço do bitcoin subiu 47%, fechando a US$ 13.801. No mês passado, a moeda digital deu um salto de mais de 28%.

Com um valor de mercado próximo a US$ 240 bilhões, o bitcoin já tem o volume aproximado de "ações de uma pequena ou média empresa do [Índice S&P 500]", explicou Pal. Se chegar aos US$ 500 bilhões ou US$ 1 trilhão, "a moeda passará a ser uma verdadeira classe de ativos, atraindo ainda mais investimentos". Um dos fatores que contribuirá para isso será a "muralha de dinheiro institucional".

"Acaba sendo uma reflexão ao estilo Soros, com o respaldo da macro", disse Pal — fazendo referência a George Soros, o investidor especulativo que supostamente "quebrou' o Banco Central da Inglaterra em uma aposta contra a libra inglesa.

"Temos o respaldo do fluxo de fundos e também o movimento que os bancos centrais estão impulsionando. É literalmente o acontecimento mais importante dos últimos tempos", disse Pal.

De acordo com Pal, o argumento macroeconômico que justifica essa tese é que a economia está prestes a entrar em uma fase de "desespero", que faz parte da ideia dele de que as recessões têm três fases, que culminam em um período prolongado de "insolvência".

Segundo ele, "é provável que o crescimento continue negativo por muito mais tempo do que as pessoas esperam. Os fluxos de caixa corporativos e domésticos serão prejudicados, aumentando a insolvência, as falências e esse tipo de coisa".

No panorama de paralisação atual, com a falta de estímulo fiscal nos EUA e na Europa, a recessão na Europa e o crescimento dos casos de coronavírus, a "única saída é aumentar os estímulos monetários ou fiscais".

Na parte monetária, o desafio é conseguir taxas negativas. Na parte fiscal, os governos terão que lançar grandes planos, que o Banco Central tentará monetizar para limitar os rendimentos dos títulos.

"Significa imprimir mais dinheiro, e não só nos Estados Unidos. Praticamente todos os países do mundo estão fazendo a mesma coisa”, especulou Pal.

"A moeda perde seu valor relativo. Não é um problema exclusivo do dólar, do euro ou da libra, são todas as moedas. Essa situação aumenta o valor do ouro e, mais especificamente, das criptomoedas", ele completou.

"Um ativo incrível"

Em relação à mudança dos bancos centrais para moedas digitais, uma das possíveis desvantagens de um cenário em que os depositantes tenham relação direta com o banco central seria a perda de determinadas liberdades.

"O relacionamento bancário direto com o banco central geraria muitos outros problemas em termos de controle sobre os usuários", refletiu ele. "Dessa forma, o incentivo fiscal poderia ser direto, mas também a cobrança de impostos ou a aplicação taxas de juros negativas. Seria possível até aplicar taxas de juros negativas para uma pessoa e positivas para outra", explicou.

"Não sabemos como seria esse mundo, e o bitcoin é uma opção para fugir desse vínculo direto com o banco central", ele acrescentou.

Pal também argumentou que, se os bancos centrais passarem a emitir moedas digitais, o bitcoin será "uma parte legítima do sistema". Seria uma revolução do sistema financeiro global, criando a "internet do dinheiro", onde os diferentes sistemas poderiam se conectar e interagir, como o iOS da Apple e o Android do Google.

"Essa conexão dos sistemas está chegando, e a rota da moeda do banco central será a plataforma em que todos eles podem se conectar em termos de facilidade de uso e integração com o dia a dia das pessoas".

Pal acha que o bitcoin "funciona como o ativo de reserva mais puro do mundo" tanto para indivíduos quanto para empresas e fundos de pensão.

"É um ativo incrível, é o único que continua com emissão limitada mesmo com o aumento da demanda. É extraordinário", ele disse.

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