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domingo, 8 de novembro de 2020

Quando voltar aos exercícios e esportes depois de contrair a Covid-19?



A pandemia de Covid-19 interrompeu praticamente toda programação esportiva mundial, adiando ou cancelando campeonatos e torneios, incluindo até mesmo os Jogos Olímpicos de 2020, transferidos para 2021. Uma das principais questões sobre a reintrodução gradual do esporte recreativo ou competitivo é sobre o grau de segurança, no retorno ao exercício, dos indivíduos que foram contaminados pelo novo coronavírus. Estudos estimam que boa parte dos que contraíram o SARS-CoV-2, com percentuais variando de 20% a 45% é assintomática, e muitos outros apresentam sintomas leves, o que dificulta ainda mais o mapeamento de infectados, além de suas condições para prática de atividades físicas. No entanto, um estudo conduzido pelos membros do Conselho de Cardiologia do Esporte Americano e publicado na revista médica JAMA (The Journal of the American Medical Association) trouxe as primeiras métricas epidemiológicas e clínicas necessárias para facilitar esse processo de recomeço a quem foi contaminado pelo vírus.

As recomendações do estudo baseiam-se sobretudo nas condições cardiovasculares e nas limitações pulmonares resultantes da contaminação, além da variação conforme o grau de desenvolvimento da doença. Conhecido pelo ataque ao sistema pulmonar, onde 20% dos casos podem requerer atendimento hospitalar e, desses casos, aproximadamente 5% podem necessitar de suporte para o tratamento de insuficiência respiratória, como respiradores e intubação, o novo coronavírus também pode ser um desencadeador de problemas cardiovasculares.

De acordo com a pesquisa, a doença está associada não apenas a sequelas cardiovasculares, como a mortalidade por doenças dessa origem, sendo observado uma morbidade cardíaca significativa em pacientes hospitalizados com a Covid-19. A lesão cardíaca aguda, definida como níveis de troponina acima do percentil 99, ocorre em até 22% dos pacientes hospitalizados com a Covid-19, o que é significativamente maior em comparação ao 1% registrado em pacientes de outras doenças virais agudas. A miocardite, inflamação do miocárdio resultante da invasão de miócitos pelo vírus, pode resultar em disfunção cardíaca e arritmias. Na fase aguda, a prática de exercícios pode resultar em replicação viral acelerada, aumento da inflamação e necrose celular, além de um substrato miocárdico pró-arrítmico.

Quando retornar?

Para quem testou positivo, mas permaneceu assintomático: deve-se evitar o treinamento físico por pelo menos duas semanas a partir da data do resultado positivo do teste e seguir rigorosas diretrizes de isolamento. Se os atletas permanecerem assintomáticos, a retomada lenta da atividade deve ser guiada sob orientação de seu médico, sendo necessário considerar o teste cardíaco se houver preocupação com o envolvimento cardiovascular na atividade.

Para desenvolveu sintomas leves ou moderados: também é recomendada uma interrupção mínima de duas semanas de qualquer treinamento físico, só que essa pausa deve iniciar a partir do fim dos sintomas. Não se sabe se o aumento do risco de lesão do miocárdio em pacientes hospitalizados com Covid-19 também acomete pacientes levemente doentes e que não foram hospitalizados; porém, é importante considerar a possibilidade de lesão cardíaca nesses casos, sendo necessários exames cardiológicos.

Para indivíduos recuperados: o ideal é realizar uma avaliação cardiovascular clínica cuidadosa em combinação com biomarcadores cardíacos e imagens. Outros testes, como a ressonância magnética cardíaca, o teste ergométrico ou monitoramento ambulatorial do ritmo, devem basear-se no curso clínico do paciente. Sem sintomas e nenhuma evidência objetiva de comprometimento cardíaco, o retorno às atividades físicas, com acompanhamento clínico, pode ser feito. Se o teste sugerir problemas cardíacos, o retorno deve se basear nas diretrizes do tratamento da miocardite.

Para aqueles que foram hospitalizados, mas cujos biomarcadores cardíacos e estudos de imagem estão normais: descanso mínimo de duas semanas após a resolução dos sintomas, levando sempre em consideração testes cardíacos, seguidos por uma retomada gradual aos exercícios.

Para pacientes que foram hospitalizados, ficando mais gravemente doente, e tiveram lesões cardíacas associadas ao quadro de Covid-19: recomenda-se o retorno à prática física de acordo com o tratamento da miocardite, mesmo sabendo que ela não representa a única possibilidade decorrente de alterações cardiovasculares.

Outro grande perigo da infecção causada pelo coronavírus é o seu comportamento atípico, chamado de hipóxia silenciosa. Muitas vezes o doente não sente dificuldade para respirar mesmo quando sua saturação de oxigênio está baixa. A pneumonia da Covid-19 costuma se apresentar por meio de exames de imagem com a aparência opaca do "vidro fosco" e os níveis de oxigênio vão caindo lenta e constantemente. Quando o cansaço é tanto que o doente finalmente procura um médico, o pulmão geralmente já está bastante tomado e a saturação de oxigênio em níveis baixos, portanto, a prática física nesse quadro pode piorar o estado do paciente. No entanto, além de destacar a individualização de cada caso, o pneumologista Rodrigo Santiago, especialista pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), pontua que a restrição da atividade física não significa repouso absoluto.

- A manifestação da doença varia muito de uma pessoa para outra. Mesmo com sintomas leves, o atleta ou praticante deve ficar duas semanas em recuperação, sem fazer exercício. Mas é bom lembrar que existem alternativas como, por exemplo, a fisioterapia respiratória, com exercícios de reabilitação pulmonar, principalmente, para pacientes internados e ambulatoriais. Porém, os exercícios devem sempre serem acompanhados do fisioterapeuta respiratório. Então, 14 dias sem exercícios físicos não significa 14 dias deitado numa cama. Quando há sintomas mais graves, é importante fazer testes também cardiovasculares. A volta à prática física, além de gradual, deve ser com base numa individualização dos casos, ou seja, em entender os níveis de sequelas e recuperação de cada paciente - explica Santiago.

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