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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Quando o paraíso vira inferno: O sufoco de quarentenar com Covid-19 nas Ilhas Maldivas



Tinha tudo para ser aquelas tão adiadas férias dos sonhos: um arquipélago isolado no oceano Índico, mar com mais de 50 tons do azul ao verde, praia deserta com areia branquíssima para caminhar, sem máscaras, ao ar livre. O que o jovem casal de turistas brasileiros não esperava era pegar Covid-19 em plenas Ilhas Maldivas —e toda a dor de cabeça depois disso.

Com cada vez mais gente alegando justificados problemas de saúde mental para voltar a viajar, os casos de turistas contaminados em viagem têm soado como alerta. Afinal, sentir os efeitos imprevisíveis do coronavírus no corpo já seria desconfortável na nossa própria casa. Longe do lar e da família, o perrengue pode ser bem maior —e mais caro.

A jornada romântica de uma semana do casal de pombinhos nas Maldivas tinha sido linda. Namoraram à vontade em um bangalô overwater com piscina privada em meio àquele mar-de-meu-deus. Até que, 72 horas antes do embarque de volta, tiveram de fazer o teste PCR, que em 30 de dezembro passou a ser obrigatório para voos ao Brasil. E deu positivo para ele.

Como você, eu estou doido para tirar a poeira do passaporte. Desde 15 de março de 2020, nunca mais pus os pés em um avião, tanto por medo de ser contagiado quanto pela possibilidade de, assintomático, eu levar o vírus para os povos anfitriões em lugares remotos com pouca estrutura hospitalar.

Há um ano, minhas escapadas —também para não pirar— se restringiram a sítios no interior ou casas em praias tranquilas.

Abstêmio de viagens —e com inveja confessa de quem está overwater neste instante—, fui tentar entender o que acontece com quem se contamina no exterior. Segundo Jacqueline Dallal, dona da Be Happy Viagens, que passou por isso duas vezes e já vendeu pacotes nas Maldivas para nada menos que 318 pessoas desde maio, quem arrisca viajar agora precisa ter flexibilidade de agenda e verba para imprevistos.

A sorte do casal das Maldivas é ter bala para as duas coisas. Confirmado o diagnóstico, pagou 14 dias de quarentena obrigatória no resort e fez apenas o downgrade de trocar o bangalô da água por outro, pé na areia. Mas que ninguém se engane: nesse período, mesmo com vista para o mar idílico, não podem pôr nem o nariz para fora do quarto.

Nesta semana, a foto de uma viajante brasileira trancafiada em um quarto de hotel em Londres ganhou a capa de jornais como o The Times e chamou atenção para imprevisto semelhante. Em alguns países, passageiros que desembarcam provenientes de lugares onde proliferam novas cepas supostamente mais contagiosas do vírus, como o Brasil, a África do Sul e o próprio Reino Unido, têm sido obrigados a cumprir quarentena em hotéis, pagando do bolso —mesmo sem Covid.

Dez dias em uma prisão hoteleira pode custar R$ 13 mil.

Mas poderia ser pior. Outro casal de brasileiros, ele com 70 anos e ela com 50, foi passar a semana do Ano-Novo em Dubai. Ao fazer o teste PCR para voltar ao Brasil, o dela deu positivo. Fraca, cansada e sem paladar, ela teve que brigar com o hotel para poder cumprir a quarentena obrigatória de 10 dias isolada no mesmo quarto. Queriam expulsá-la, por medo que contagiasse outros hóspedes.

Para complicar, ela estava sozinha. Preferiu que o marido, do grupo de risco, voltasse (ao pousar no Brasil outro teste deu positivo para ele, mas isso é outra história). Como se não bastasse bancar o período de hospedagem extra, ela descobriu que não podia prorrogar o seguro de viagem. Caso tivesse que ser transferida a um hospital, teria que pagar as despesas médicas. Felizmente, ela melhorou e está de volta.

Moral da história: quer ser feliz nos mares azuis de destinos no exterior mesmo nestes tempos em que brasileiros são mal-vindos em várias partes do globo? Então prepare o bolso. Contrate, antes de embarcar, duas semanas extras de seguro-viagem. Seja discreto, pois viajar para fora virou algo quase politicamente incorreto. E tenha flexibilidade para passar 15 dias preso no quarto. Com sorte, com vista para o mar.

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