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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Após 59 anos internado em hospital psiquiátrico, Rubem Barroso, 83, recebe alta



Aos 83 anos, Rubem Barroso acaba de deixar pra trás o endereço onde viveu por quase seis décadas. O lavrador estava morando nas ruas do Rio de Janeiro quando foi recolhido, em 12 de fevereiro de 1962 – em um Brasil ainda governado por João Goulart e às vésperas de virar bicampeão mundial de futebol –, para a antiga Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Para a unidade, eram levados os considerados “loucos, subversivos e transgressores da ordem”, principalmente durante os anos de ditadura militar que, dois anos mais tarde, derrubaria Jango da Presidência.

Diagnosticado com esquizofrenia, Rubem só sairia do local na sexta-feira (21/5), após 59 anos, ao receber alta e ser transferido a uma residência terapêutica, uma espécie de casa de convívio para portadores de doença mental.

Afastado da sociedade desde 1962, com exceção de um curtíssimo período de alta, Rubem deixou, nas celas do manicômio, sonhos, desejos e sua juventude, mas sobreviveu aos momentos de tortura e violência, e às sessões de eletrochoques, seguidas de altas doses de sedativos, que marcaram durante muito tempo a realidade de hospitais psiquiátricos do país inteiro – e repetida na Juliano Moreira por anos.

Em reabilitação a partir da reforma psiquiátrica, Rubem, finalmente, deixou a unidade e recuperou o direito a ter um lar, mesmo que sob a supervisão de equipes da Secretaria Municipal de Saúde, que contam com psicólogos e cuidadores.

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